A Semana Nacional do Trânsito tem à frente desafios a superar. Educar o motorista é o principal deles. Maringá é uma cidade de médio porte com status de metrópole neste assunto. Dados do 4º Batalhão de Polícia Militar apontam que a cada uma hora e meia acontece um novo acidente na Cidade. A Semana do Trânsito começou na última sexta-feira em todo o País com o tema Educação no Trânsito. Os Detrans estaduais promovem atividades para conscientizar a população.
Escolas públicas e particulares terão aulas de trânsito a partir do segundo ano. A medida é alusiva à educação das novas gerações visando um novo perfil de motoristas. A novidade é que quem participar do curso não precisará frequentar aulas nos centros de Formação para fazer a prova teórica de habilitação. Noções básicas que precisam de ênfase para a geração de motoristas responsáveis. No Brasil, as estatísticas revelam que acontecem 50 mil mortes em acidentes de trânsito por ano. Em Maringá, morreram 39 pessoas em 2009. Será que mais uma campanha não é ‘chover no molhado’? Estão surtindo o efeito necessário: educando e conscientizando?
Além de ser uma cidade dona de grande frota de veículos, pesquisas revelam que 90% dos acidentes ocorrem por culpa do motorista. Dos cinco minutos que a reportagem do jornal Hoje Notícias ficou parada no cruzamento entre as avenidas São Paulo e Colombo, várias situações de desrespeito foram observadas. A pressa e a impaciência são as principais causas de imprudência ao volante. No Brasil, a cada 10 minutos morre uma pessoa vítima de acidente de trânsito e em Maringá, uma a cada oito dias.
Privilegiado pela localização do estabelecimento em que trabalha, o empresário Denis Carvalho, 28, observa absurdos no trânsito. “Não tem um dia que não acontece acidente aqui neste cruzamento”, diz. Para o jovem, não adianta mudanças na legislação, sendo que o problema está no motorista. A imprudência é fruto da falta de conscientização. Ele acredita que a campanha do trânsito não vai atingir a meta a que se propõe. “Não vai mudar nada. Falta visão, educação, senso crítico. Mudar o comportamento leva gerações”, opina.
Diante da falta de tempo que envolve a população em geral, é difícil não levar o estresse para as ruas. Ao dirigir, o motorista incorpora diversos fatores: a pressão do trabalho, a competitividade, a pressa constante, a preocupação com a família, a necessidade do ganha-pão. Quem assume a direção carrega toda uma carga negativa, que na somatória, é sinônimo de imprudência. A cada sete minutos acontece um atropelamento no Brasil. Em Maringá, a cada 24 horas temos um registro dessa situação.
Dirigir em Maringá “é teste para cardíaco” como diria o narrador esportivo, Galvão Bueno, diante de um desafio futebolístico na televisão. Se a pressa é inimiga da perfeição, nas ruas da Cidade, largas por planejamento, o que se vê é engarrafamento não só nos horários de pico.
A avenida Paraná é campeã em tirar qualquer um do sério. Quando chove, um pandemônio. Outras vias apresentam o mesmo problema. Impossível é deixar o estresse fora do carro, quando em trânsito. O frentista Bradley Balbo, 20, acredita que a falta de paciência é a grande vilã. Ele também indica que a sinalização deveria ser mais expressiva, afinal, é preciso educar o motorista mais desavisado. “Tem muita gente que dirige estressada e com pressa. Isso é um perigo”, aponta.
Em qualquer cidade brasileira, as causas dos acidentes no trânsito podem ser o álcool, drogas, buracos, animais na pista, sinalização inadequada, desrespeito à sinalização, sensação de impunidade, velocidade irresponsável, falta de atenção, motoqueiros “costurando”, etc. No entanto, sob o ponto de vista crítico, existe um fator preponderante: a irritabilidade cotidiana incorporada ao volante. Um estudo realizado por pesquisadores da Austrália, Grã-Bretanha e Suíça a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicado no site da BBC Brasil, mostra que acidentes de trânsito são a principal causa de mortes de jovens entre 10 e 24 anos no mundo; acidentes de trânsito respondem por 10% das mortes de jovens no mundo.
De acordo com o estudo, todo ano, 2,6 milhões de pessoas morrem nessa faixa etária; 97% dessas mortes ocorrem em países de média ou baixa renda, entre eles o Brasil. Um dado importante indicado na pesquisa, dá conta que os índices de mortalidade nos países de média e baixa renda são quase quatro vezes maiores do que os de países ricos. Ao que se atribui? Más condições das estradas ou á má formação cultural e educacional dos motoristas dos países de baixa renda?
Uma das sugestões apuradas em entrevistas pela reportagem é o incentivo ao transporte coletivo ou transporte alternativo como a bicicleta. Basta ver que nos horários de levar os filhos nas escolas, muitos carros poderiam fazer rodízio. Ou ainda, as escolas poderiam incentivar o transporte escolar nas vans.
Medidas alternativas ajudariam, e muito, a um trânsito mais tranqüilo e desafogado. Não chegamos ao ponto de fazer rodízio de placas como acontece em São Paulo, mas falta pouco. Uma medida que faz a diferença, mas parece tão longínqua, é a consciência de cada um. Acidente não é coisa do vizinho e não vitima só o outro. A educação é parte de cada um.
Fonte: Hnews
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