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23/10/2009

A realidade é bem palpável


No mundo, de acordo com o Gartner, as tecnologias de Green IT, cloud computing e virtualização são as que mais vão crescer nos orçamentos de TI este ano. Destas, a que terá melhor performance em países emergentes, como o Brasil, será a de virtualização – tecnologia que serve ainda como propulsora das outras duas listadas anteriormente. Não por acaso, aproveitando-se do momento “quente”, os fornecedores lançaram novas versões de suas plataformas este ano, como Citrix, Red Hat, Sun e Microsoft.

Todos se movem no sentido de barrar a supremacia da VMware, que reina no mercado de servidores e conta com a máquina comercial e de marketing da sua dona, a EMC, para alavancar suas vendas. “Eles ganham muito nos consoles de gerenciamento, mas têm uma visão proprietária que o mercado começa a repudiar. A dinâmica do mercado de TI é soberana, quem não lembra da Novell que era absoluta no segmento de redes e viu o jogo mudar. Quem entra com mais força agora quer ganhar, como nós”, garante Alejandro Chocolat, country manager da Red Hat Brasil.

Mas um fato não pode ser esquecido, cada vez mais os ambientes corporativos são heterogêneos em cada uma das partes, sejam eles servidores, desktops ou mesmo storage. “O hardware não se importa com qual sistema operacional está instalado nele. A maioria dos clientes executa redes heterogêneas e, havendo interoperabilidade entre as plataformas, se torna muito mais fácil para os clientes corporativos virtualizarem esses ambientes”, aponta Gary Chen, gerente de pesquisa e software de virtualização corporativa da IDC.

A gigante Microsoft, por exemplo, aposta em uma guerra de preços e de compatibilidade com o Hyper-V. De acordo com o analista Joe Clabby, da Clabby Analytics, em pesquisa encomendada pela própria MS, “a introdução da nova versão Hyper-V traz uma concorrência muito séria de um fornecedor com muito dinheiro, uma organização mundial de marketing e vendas esmagadora, grande penetração nos mercados dos Fortune 500, pequeno e médio e com uma infraestrutura extensa e complementar e profundidade de produtos de gerenciamento”. Ufa! Guardadas as perspectivas de alguém escrevendo aquilo que o seu “patrocinador” deseja ouvir, a entrada para valer da Microsoft promete movimentar o setor, especialmente no investimento em interoperabilidade – veja mais no Box: Microhat ou RedSoft?

 

O meu é melhor

Para Erika Ferrara, diretora de vendas da Citrix, independente da maior concorrência, ainda existe muita oportunidade no mercado, mundial e mesmo local. “É nesse sentido que temos um diferencial, trabalhamos há 20 anos na área e ninguém possui um portifólio tão completo como o nosso, que pode responder às necessidades de servidores, storage, cloud computing ou mesmo de desktops”, conclui.

Um exemplo desse trabalho é a aquisição da XenSource, que gerou o lançamento de uma solução gratuita com a mesma grife, para qualquer usuário e com deployment de produção ilimitado. “Fizemos esse movimento para popularizar a tecnologia mesmo, e queremos entrar em outros segmentos de mercado. Esse investimento traz resultados entre as médias empresas, nas pequenas e mesmo em Governo”, avalia Érika.

Questionada se o mercado busca um fornecedor único ou vai conviver com essa idéia de heterogeneidade, Érika argumenta que veremos de tudo. “Vamos continuar a coexistir com ambientes mistos, porém já vemos clientes que querem Citrix como um todo também”, insinua. Como não poderia deixar de ser, o fornecedor possui um acordo com a Microsoft visando facilitar a interoperabilidade – bem semelhante ao acordo Red Hat-MS.

Juntos ou separados, unificado ou múltiplo, qual o tamanho do mercado? Falamos de um segmento que deve movimentar US$ 2,7 bilhões, algo que não chega a ser um dos maiores mercados em TI, porém o crescimento superior aos 40% previstos para este ano chama a atenção. Ou como pontua Alejandro, “não chegamos nem a 20% do potencial do mercado”.

 

Agora e amanhã

Algo que tem suas razões. “É o mercado de maior expansão especialmente por fatores de sustentabilidade. Com a virtualização conseguimos aumentar os níveis de utilização dos servidores e otimizar o espaço físico ocupado pelos mesmos, e isso traz uma economia direta para as empresas”, compara Boris Kuszka, diretor de tecnologia da Sun Microsystems. A companhia aposta em soluções como os LDOMs, que são uma virtualização nativa, da linha de servidores CMT (Chip Multi Threading), que é uma implementação de Hypervisor do tipo 1 baseado em firmware. E ainda em virtualizações físicas nos servidores high-end, como o Virtualbox, com o hypervisor 2. Dentro do sistema operacional Solaris também existem containeres de virtualização. E ainda há os produtos de gerenciamento como o XVM Ops.

Para Alejandro, o grande desafio do mercado é o da própria Red Hat, ou seja, mostrar o valor que está além da solução. “Temos que superar as barreiras e desenvolver tecnologias aderentes aos padrões. Nossas soluções são tão boas quanto o que existe no mercado, o diferencial é a possibilidade de livre-escolha por parte do cliente, que pode usar consoles de padrões abertos como os nossos”, garante.

Uma fronteira que era dominada pela Citrix, a de virtualização de desktops, chama a atenção dos demais concorrentes. “A ideia é substituir o desktop convencional por thin clients ou PCs de menor configuração somente para o display. Esse é um mercado que está crescendo agora, apesar de existir há mais de 10 anos, mas a tecnologia atual tornou a solução mais interessante”, argumenta Kuszka, da Sun. A empresa investe na melhoria da interface com o usuário e em questões como a melhoria de performance. O Virtualbox 3.0 aproveita os recursos das placas aceleradoras gráficas e o Sun VDI (virtualização de desktop) e implementa a aceleração de multimídia e flash.

Todos os executivos admitem que o mercado ainda é dependente dos grandes clientes, como as operadoras de telecomunicações e o setor de finanças. Porém existe um grande otimismo na reversão dessa realidade. “Queremos mudar essa imagem. Uma das formas é com um sistema gratuito como o nosso, com ele o cliente pode começar e depois evoluir para uma versão mais elaborada”, ensina Érika.

 

MICROHAT OU REDSOFT?

Há alguns anos, uma parceria reunindo Microsoft e Red Hat seria inconcebível. No entanto, os tempos mudaram...as plataformas Red Hat Enterprise Linux e Microsoft Windows Server validam e suportam as plataformas de virtualização das duas empresas.

O acordo de reciprocidade permite a interoperabilidade entre as plataformas de virtualização de ambas. Cada empresa adere desta forma ao programa de validação/certificação de virtualização da outra, provendo suporte técnico coordenado para ambos os clientes de virtualização de servidor. Iniciativa que permite ainda a implementação com segurança de soluções heterogêneas e virtualizadas da Red Hat e Microsoft.

“O mundo da TI hoje é uma mistura de ambientes virtualizados e não-virtualizados. A Red Hat procura ajudar seus clientes a avançar mais rapidamente nos ambientes virtualizados, incluindo os ambientes mistos Red Hat Enterprise Linux e Windows Server,” avalia Mike Evans, vice-presidente de desenvolvimento corporativo da Red Hat.

Os clientes da Red Hat e da Microsoft serão capazes de executar os servidores virtuais Microsoft Windows Server e o Red Hat Enterprise Linux em ambos os ambientes de hospedagem com configurações que serão testadas e suportadas pelos sistemas de operação e virtualização. “Os clientes estão adotando rapidamente o Windows Server 2008 Hyper-V e estão interessados no suporte para executar mais sistemas operacionais no Hyper-V no seu ambiente virtualizado, incluindo os ambientes da Red Hat”, afirmou Mike Neil, gerente geral de estratégia de virtualização da Microsoft. 

Fonte: Revista TI Inside









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