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17/11/2009

GM tirar inovação do papel e fica em sexta posição do rankin


Toda as sextas-feiras pela manhã os gestores de tecnologia da General Motors se reúnem para avaliar os processos e traçar estratégias. Durante a meia hora deste encontro, 12 gerentes e o diretor de tecnologia da montadora falam sobre inovação. "Discutem-se muitas ideias. Cada uma delas é avaliada", comenta Claudio Martins, CIO para o Mercosul, citando que destes brainstormings nasceram muitas iniciativas que nortearam os projetos da companhia neste ano atípico vivido pela indústria automotiva.

De fato, o setor de carros amargou situações complexas e esperneou muito com a crise financeira global desencadeada no segundo semestre de 2008. A GM, gigante e centenária, sofreu a ponto de pedir concordata nos Estados Unidos. Mas tal onda não devastou o Brasil, onde as vendas de automóveis no primeiro semestre superaram o desempenho visto no mesmo período do ano anterior. "Este ano foi de muito trabalho e de adequações às normas", resume o diretor de companhia que pulou do 13º lugar no ranking geral de As 100+ Inovadoras no Uso de TI, em 2008, para a 6ª posição, em 2009.

Grande parte do esforço do time comandado por Martins ao longo dos últimos meses atrelou-se a iniciativas propostas pelo governo. Com a ameaça de retração mais significativa da economia, o que apontava para uma possível onda de demissões em toda cadeia automotiva, Brasília tomou as rédeas e baixou medidas para reduzir o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A postura impulsionou as vendas e deve contribuir para o crescimento de 4% previsto pela GM para 2009. A mexida obrigou que sistemas fossem revistos para contemplar ajustes fiscais.

Na mesma direção, a GM precisou acertar sua TI para emitir Notas Fiscais Eletrônicas (NF-e) e entregar os arquivos da obrigatoriedade do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). "São projetos que geraram grande quantidade de trabalho", resume, durante entrevista concedida pelo CIO em sua sala na sede da montadora, no ABC paulista.

Driblando dificuldades

Nem as adversidades, nem as compliances frearam a inovação na subsidiária brasileira da GM - o que prova que os trinta minutos semanais para discutir formalmente o tema foram bem-aproveitados. O fato é que até o estouro da crise, o ritmo era alucinante para a indústria automotiva. Os trabalhos, até então, focavam em alta produtividade. "Se um sistema cobria dois turnos, o aumento para um terceiro período nos obrigou a otimizar o espaço que antes era alocado para manutenção e backup para funcionar 24 horas", comenta o CIO, mencionando que a crise fez a companhia se reorganizar para atender à redução de volume, que exigiu novo esforço da tecnologia. A contrapartida é que tal adequação permitiu à montadora manter a produção mesmo quando diminuiu turnos.

Com orçamento de TI um pouco superior ao liberado em 2008, a prioridade residiu em iniciativas que impactassem o negócio e não consumissem recursos exorbitantes. Entrou em campo a criatividade. "Aproveitamos oportunidades", avalia Martins. O executivo tirou do papel um projeto de TV interna para distribuição de conteúdo. A iniciativa saiu praticamente de graça, pois contou com parceria com uma empresa que coloca à disposição comerciais, mesclando canais formais de comunicação com publicidade. A programação chega aos 21 mil funcionários da montadora. A ideia rondava pelo departamento de tecnologia há algum tempo. "Mas o investimento era alto; o trabalho, difícil e o retorno, baixo", avalia o executivo, citando que o projeto fora apresentado a um comitê executivo duas vezes, sem sucesso.

Além disso, é inegável a chacoalhada ocasionada pela crise. Em meio a grandes transformações globais, a GM redefiniu sua cultura empresarial. Uma nova porta para inovar com baixo investimento. Das reuniões das manhãs de sexta-feira veio também a ideia de colocar uma proteção de tela nos computadores para difundir os novos conceitos. Desde o surgimento da possibilidade, criação do layout, desenvolvimento até a distribuição da mensagem para 8 mil máquinas, menos de duas semanas se passaram.

O CIO explica que missão, visão e valores da companhia aparecem no monitor dos trabalhadores que deixarem suas máquinas paradas por mais de cinco minutos. Talvez pareça algo realmente pequeno, mas vale ressaltar o impacto da medida, sempre lembrando que informação é um dos componentes na hora de promover mudanças. Aliás, ressalta-se que "inovação" é um dos conceitos presentes neste screen saver. 

No que se refere propriamente à tecnologia que impulsiona negócios, Martins cita um "projetinho" para divulgar informações de market share em 400 PDAs de funcionários das áreas de marketing e peças. A solução baseou-se em uma plataforma de business intelligence (BI) da MicroStrategy e fornece dados em tempo real. A oportunidade de criar a ferramenta veio do contato entre TI e a área de negócio.

Equações

Quando olha para frente, o líder da TI da GM no Brasil e dos demais países do Mercosul mantém vistas nas regulamentações do governo. Por aqui, em um futuro próximo, a Resolução 245 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) vai obrigar a instalação de um aparelho antifurto nos veículos saídos de fábrica. "É um celular que você pode bloquear o carro se ele for roubado", simplifica o diretor. Para muitos, trata-se somente de adequação. Já outros enxergam aí uma plataforma para inovar e agregar valor ao negócio. O CIO não cita estratégias da montadora, mas deixa clara a intenção de oferecer serviços sobre esta base tecnológica.

Há vezes que coisas simples fazem toda a diferença. Com pequenos gestos, a GM mostra que é possível manter elevados níveis de inovação mesmo em períodos turbulentos.


Fonte: IT Web









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