Tradutores online fazem o que o esperanto nunca conseguiu.
“E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. (...) E disseram: edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus. E o Senhor disse: desçamos e confundamos ali a sua língua, para que um não entenda a língua do outro. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra.” (Gênesis, 11)
As línguas humanas são tão diferentes que parecem ter sido criadas em vários planetas. Coloque um chinês conversando com um búlgaro. É mais fácil falar klingon. Para tentar se entender melhor, os homens criaram o esperanto. Não decolou. Por motivos econômicos e culturais, o inglês virou a língua comum. Mas a Babel continua firme para quem não entende um mínimo de inglês — a maioria das pessoas. Isso só aumenta o caráter revolucionário do Google Translate.
Dele, até agora, só ouvi piadas pelos erros que comete. É o velho ditado: quando alguém aponta para a Lua, o tolo olha para seu dedo. O Translate trabalha com 51 línguas, entre elas, africânder, croata e iídiche. Como ficam as traduções? Cheias de falhas, às vezes incoerentes e incompreensíveis. O Translate funciona melhor quanto mais simples e objetivo for o texto. Não peça a tradução de um poema de Goethe. Sairá uma bagunça.
Você pode instalar um botão em seu blog para traduzir o conteúdo para outras 50 línguas. Posso escrever “Meu nome é Dagomir Marquezi e escrevo uma coluna para a revista Info”. E traduzir para o russo:
A tradução deve estar bem errada, mas saímos do zero do entendimento.
Por outro lado, você e eu, que jamais teremos paciência e tempo ou motivação para estudar árabe, podemos ir ao jornal Al-Ahram e catar uma notícia como
Significa “Eleito para viver uma noite feliz após a vitória sobre a Nigéria”. Nem toda frase em árabe oculta apelos de radicalismo religioso ou propaganda de terrorismo. Eles também gostam de futebol. Somos todos parecidos, só precisamos de um jeito de nos entender sem intermediários.
Com o Google Translate, a tradução é simultânea. Você escreve num quadrado, a frase surge em outro. Num terceiro, você corrige a tradução — se tiver noção da língua, claro. Com as naturais limitações, vivemos a maior revolução linguística da História. A tecnologia do Google Translate pode reconhecer voz e virou um aplicativo de celular. Você está num bar na Polônia, abre-o e diz a frase: “Boa noite, quero uma cerveja escura, por favor”. Com dois cliques, o celular traduz ao barman:
Está correto? Talvez nem tanto, mas vocês vão se entender porque usam o mesmo aplicativo. Mnara wa Babeli ni kuanguka. Ou “A torre de Babel está caindo”, em suaíli.
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